Neste mês de junho de 2009 lembramos os 20 anos de falecimento do paranaense Paulo Leminski (1944-1989), um dos mais ousados escritores brasileiros do século passado. Bastaria mencionar o livro Catatau, de 1975, texto vertiginoso com frases lancinantes, experimentação contínua da linguagem. Numa passagem, Leminski recomenda ao leitor: "repara bem no que não digo". Trata-se de um romance que não tem nada a contar, mas muito tem a sugerir entre o saber e o signo.
O saber que não está dito, na literatura, pertence ao leitor criar e dizer, é convite a que entre em ação. Somos nós, leitores, convidados a pensar além da conta, além das linhas, além do óbvio, além do prescrito. Quanto mais corajoso for o escritor, mais coragem nos será exigida. Se Leminski testava a literatura em seus limites, cabe também ao leitor, com igual empenho, testar a sua capacidade de interpretar o dito e o nãodito. Ler Paulo Leminski é, portanto, exercício de crescimento e superação.
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